Eaí moçada!
Bom estou sem escrever faz um tempinho. Começaram as aulas e tenho escrito muuuuitas coisas mas estão todas relacionadas ao meu âmbito acadêmico (pra variar).
Mas em breve trarei outras reflexões aqui...
Por hora deixo este poema, de Fernando Pessoa ao qual muito me identifico.
PASSAR A LIMPO a Matéria
Repor no seu lugar as cousas que os homens desarrumaram
Por não perceberem para que serviam
Endireitar, como uma boa dona de casa da Realidade,
As cortinas nas janelas da Sensação
E os capachos às portas da Percepção
Varrer os quartos da observação
E limpar o pó das ideias simples...
Eis a minha vida, verso a verso.
...
Sobre o vínculo do estudo e da transformação
Finalmente reiniciaram-se as aulas! É bom saber que neste semestre terei contato com 2 excelentes professores que recebem elogios pelos corredores pela sua didática e compromisso. Logo de início tive contato com um texto do Paulo Freire que trata sobre o estudo. Ele coloca: “O Ato de estudar é uma maneira de posicionar-se perante o mundo”. Enquanto lia e exercia minha crítica e formulação de conhecimento iniciei uma reflexão sobre algo que eu me pego pensando frequentemente: estou estudando pra quê? Por quê estou aqui querendo um diploma de psicologia? O que vou fazer quando me formar? Quais serão meus compromissos reais como profissional de ensino superior com meu país e como vou contribuir para sua melhora? Decidi então escrever um pouco sobre isto.
Entendo que como parte da minoria intelectual de ensino superior no meu país assumo uma posição privilegiada mas ao mesmo tempo dotada de uma responsabilidade para com os outros muito superior do que achava. Ao formar-me psicólogo em uma instituição pública de ensino assumo também o compromisso da mudança e do respaldo a sociedade e seu aprimoramento através da ferramenta que estou (espero) aprendendo a manejar e a lapidar de forma que fique perfeita: o conhecimento. O que farei com o que tenho aprendido no âmbito universitário? De que forma vou utilizar o conhecimento como uma nova ferramenta tanto de produção quanto construção contínua de uma realidade mais coerente, justa e positiva? Me assusta que poucos dos meus professores tocaram isto em aula. Tenho assimilado muito conteúdo mas pouco tenho recebido orientações de como transformar toda esta informação em algo útil e produtivo cabendo a mim e minhas experiências apenas (salvo exceções) tentar tornar todas estas ideias mais coesas e coerentes com a realidade nacional que vivemos. O fato é que na instituição que me encontro pouco têm se trabalhado a crítica em sala de aula. Aprendemos muito conteudo mas pouco dividimos ou aprendemos a dividir o mesmo de uma maneira construtiva e emancipadora. Aprendemos facilmente a vestirmos a capa de um clínico ou profissional psicólogo detentor do conhecimento e da verdade que pode facilmente fechar-se em um ativismo com pouco ou nenhum compromisso com a mudança e a liberdade real dos indivíduos que confiam e confiarão em nossas palavras ou em nossa produção científica e acadêmica. Pouco aprendemos a utilizar nosso privilégio de ensino superior como inseparável da responsabilidade de proporcionar condições efetivas e concretas para a mudança de nosso país. É uma pena que esta seja a realidade que percebo hoje no ensino superior. Felizmente ainda assim aprendi a ter este tipo de valor e noção mínima de responsável como futuro profissional. Não foi na sala de aula (com exceção de professores como os que mencionei inicialmente no texto) mas sim movimentando-me. Aprendi com meus colegas, estes igualmente insatisfeitos com as condições reais e concretas da nossa formação que em conjunto conseguiram e ainda conseguem me adicionar muitas coisas e em especial a desenvolver um grande senso e olhar crítico para o real e como o mesmo se dá hoje em dia , condição essencial para que se possa desenvolver um trabalho ou pesquisa emancipadora de fato daqueles que poderão desfruta-la direta ou indiretamente.
Diante disto tudo aprendi de maneira reforçadora aquilo que sempre acreditei: somos responsáveis pela nossa história e pela mudança. É o/a homem/mulher nas suas condições reais e concretas, com aquilo que tem disponível que move o mundo e o transforma com seu trabalho e esforço (seja ele físico ou intelectual um não anula muito menos é superior que o outro), cria, desconstrói e aprimora. Não é o tempo, não é a educação, não é a política que vai mudar tudo. Somos nós, através de nossos posicionamentos e das nossas atitudes que vamos construir e comandar coisas tal como citei anteriormente pois são fruto da ação humana e de seu posicionamento diante da realidade que se têm e que se almeja ter. É pensando assim que sigo minha graduação, tendo sempre o norte e a responsabilidade de utilizar meu conhecimento para interferir diretamente na realidade e alterá-la, sempre para o melhor e sempre para o bem-estar.
Entendo que como parte da minoria intelectual de ensino superior no meu país assumo uma posição privilegiada mas ao mesmo tempo dotada de uma responsabilidade para com os outros muito superior do que achava. Ao formar-me psicólogo em uma instituição pública de ensino assumo também o compromisso da mudança e do respaldo a sociedade e seu aprimoramento através da ferramenta que estou (espero) aprendendo a manejar e a lapidar de forma que fique perfeita: o conhecimento. O que farei com o que tenho aprendido no âmbito universitário? De que forma vou utilizar o conhecimento como uma nova ferramenta tanto de produção quanto construção contínua de uma realidade mais coerente, justa e positiva? Me assusta que poucos dos meus professores tocaram isto em aula. Tenho assimilado muito conteúdo mas pouco tenho recebido orientações de como transformar toda esta informação em algo útil e produtivo cabendo a mim e minhas experiências apenas (salvo exceções) tentar tornar todas estas ideias mais coesas e coerentes com a realidade nacional que vivemos. O fato é que na instituição que me encontro pouco têm se trabalhado a crítica em sala de aula. Aprendemos muito conteudo mas pouco dividimos ou aprendemos a dividir o mesmo de uma maneira construtiva e emancipadora. Aprendemos facilmente a vestirmos a capa de um clínico ou profissional psicólogo detentor do conhecimento e da verdade que pode facilmente fechar-se em um ativismo com pouco ou nenhum compromisso com a mudança e a liberdade real dos indivíduos que confiam e confiarão em nossas palavras ou em nossa produção científica e acadêmica. Pouco aprendemos a utilizar nosso privilégio de ensino superior como inseparável da responsabilidade de proporcionar condições efetivas e concretas para a mudança de nosso país. É uma pena que esta seja a realidade que percebo hoje no ensino superior. Felizmente ainda assim aprendi a ter este tipo de valor e noção mínima de responsável como futuro profissional. Não foi na sala de aula (com exceção de professores como os que mencionei inicialmente no texto) mas sim movimentando-me. Aprendi com meus colegas, estes igualmente insatisfeitos com as condições reais e concretas da nossa formação que em conjunto conseguiram e ainda conseguem me adicionar muitas coisas e em especial a desenvolver um grande senso e olhar crítico para o real e como o mesmo se dá hoje em dia , condição essencial para que se possa desenvolver um trabalho ou pesquisa emancipadora de fato daqueles que poderão desfruta-la direta ou indiretamente.
Diante disto tudo aprendi de maneira reforçadora aquilo que sempre acreditei: somos responsáveis pela nossa história e pela mudança. É o/a homem/mulher nas suas condições reais e concretas, com aquilo que tem disponível que move o mundo e o transforma com seu trabalho e esforço (seja ele físico ou intelectual um não anula muito menos é superior que o outro), cria, desconstrói e aprimora. Não é o tempo, não é a educação, não é a política que vai mudar tudo. Somos nós, através de nossos posicionamentos e das nossas atitudes que vamos construir e comandar coisas tal como citei anteriormente pois são fruto da ação humana e de seu posicionamento diante da realidade que se têm e que se almeja ter. É pensando assim que sigo minha graduação, tendo sempre o norte e a responsabilidade de utilizar meu conhecimento para interferir diretamente na realidade e alterá-la, sempre para o melhor e sempre para o bem-estar.
Coração Valente: Caráter e semelhanças com hoje.
Assisti pela terceira ou quarta vez o clássico filme “Coração Valente” (Braveheart) com Mel Gibson interpretando William Wallace, herói da guerra da independência Escocesa. A razão de eu gostar muito desse filme (embora seja em certa parte exagerado, mas que filme ou romance não o é?) é a mensagem que pego dele. Ao ver a trajetória de vida do personagem no filme percebo como um homem deve levar sua vida e concretizar seus sonhos. Acredito que a maioria das pessoas que ler isto provavelmente já assistiu o filme em algum momento de sua vida então irei dar uma resumida para relembrar de alguns fatos do filme. Lembrando que estou falando do FILME e não do ser Wallace baseado na história!
William Wallace era filho de um camponês escocês. Ainda jovem viu a tentativa de seu pai de organizar alguns dos clãs para lutar contra a opressão inglesa na escócia do rei longshancks, dito como um dos mais cruéis reis que sentaram naquele trono. O jovem Wallace porém frustra-se ao receber tempo depois a notícia da morte de seu pai e de seu irmão mais velho que foram feridos em combate contra os ingleses. Encontra também em uma casa diversos dos nobres escoceses que foram traídos por Longshancks em um suposto tratado de paz, todos enforcados. Mulheres e crianças inclusos. Logo cedo em sua vida Wallace acaba tendo de lidar com a perda daqueles que mais amava. Durante o dia após ver o corpo de seu pai e irmão comparece ao enterro de ambos. Enquanto todos saíam após as preces o pequeno Wallace ficou só, chorando vendo o coveiro enterrar sua família. Uma jovem garota então, entrega a ele uma flor, um cardo (thistle) flor símbolo da Escócia. Wallace é então adotado por seu tio que aparece a noite para ver o verdadeiro enterro dos pais de Wallace: com corpos queimados e gaitas escocesas, proibidas pelo governo inglês e que quando eram feitas deveriam ser as escondidas. O tio de Wallace o leva consigo e o ensina diveras línguas e a arte do combate. Wallace retorna anos depois, adulto e tenta retomar sua vida como fazendeiro. Reencontra Murien, a garota que havia lhe dado a flor (a qual ele devolve a ela depois) e ambos vivem um romance cheio de amor e companheirismo. Casam-se as escondidas para evitar a Prima Nocte direito que os nobres ingleses detinham sobre os camponeses escoceses que se tratava de que quando houvesse um casamento a primeira noite da noiva deveria ser com o nobre. Após algum tempo ocorre uma tentativa de abuso de Murien por parte de soldados ingleses e devido ao atrito a mulher de Wallace é capturada. Como Wallace havia agredido soldados o nobre regente da terra opta por assassinar Murien em público cortando sua garganta visando atrair o fugitivo Wallace. Isto funciona, Wallace retorna então em fúria e com a ajuda de seus antigos amigos que apoiavam a causa de seu pai mata o nobre da mesma maneira que o mesmo havia matado sua mulher e toma as terras para seu povo. Guarda o lenço que sua amada havia feito para ele o qual o acompanharia até o fim de sua vida. Daí em diante Wallace passa a receber o apoio do povo escocês e corre atrás do sonho quase utópico na época: o da liberdade escocesa da repressão inglesa e a formação de um país independente. Ao longo de sua jornada Wallace acaba tendo que passar a negociar com os nobres escoceses que engalfinhados em jogos políticos e poder (e sem nenhum interesse pelo povo camponês... humm, isso não nos remete a alguma coisa atualmente? Parece que a história gosta de se repetir...) abandonam a causa revolucionária subornados pelo rei e traem Wallace no campo de batalha. Pasmo com a atitude de seus próprios compatriotas (se é que vermes como a nobreza colocada no filme pode ser dita “patriota”) Wallace mata dois dos nobres haviam traído a causa. Os exércitos de Wallace e escoceses tomam a cidade de York sozinhos. Assustado, o rei da inglaterra Longshancks pretende então matar Wallace e cessar as rebeliões escocesas e para isso utiliza-se de sua nora, a princesa da França. Porém, a princesa acaba por apaixonar-se pelo revolucionário escocês (hah) e passa a ajudá-lo. Finalmente o rei decide por comprar (novamente) os nobres escoceses os quais enganam novamente Wallace prometendo ajudar a causa escocesa deliberdade e capturam Wallace, entregando-o para a Inglaterra. William Wallace passa por um julgamento ao qual se nega a pedir perdão e jurar lealdade ao rei e então é levado para sua sentença: Wallace é então espancado, enforcado, esticado, têm suas tripas puxadas para fora e, finalmente, é decapitado. Ao negar-se a pedir misericórdia diante da população inglesa e de seus executores, decide por gritar “LIBERDADE” e então, após ter suas tripas expostas dá seu último suspiro de vida. Em sua mão, está o lenço de Murien manchado do sangue das batalhas que wallace havia realizado. Enquanto o machado estava a cair em seu pescoço, Wallace sofre seu último delírio e então enxerga Murien em meio a multidão, junto aos seus dois maiores companheiros que assistem sua execução pois nada poderiam fazer em Londres. Wallace então sorri para Murien, que sorri de volta, felizes, pois poderiam juntar-se finalmente.
O que me faz derramar lágrimas neste épico é a jornada de Wallace e como ele, ao adotar a posição real de HOMEM segue até o fim com seus ideais e mantém-se fiel até o fim naquilo que acreditava ser o certo. Mesmo que custasse sua vida. Inicialmente Wallace sofre duas perdas lastimáveis em sua vida, primeiro a de sua família e segundo de sua amada esposa todas pelas mãos da repressão inglesa. Mesmo diante de adversidades tão grandes em sua vida, sabendo que a mesma poderia simplesmente perder o sentido ele soube com seu espírito manter-se em pé e mais que isso, vislumbrar o horizonte, manter-se fiel ao seu sonho patriota de liberdade. Mesmo com estas perdas Wallace soube equilibrar-se e seguir em frente com sua vida e sua utopia e isso é característica essencial daqueles grandes na vida. Apesar das lágrimas e da tristeza, Wallace ergue a cabeça e mantém-se fiel a levar a justiça e a liberdade ao seu povo para que tais atos não mais se repitam e ela possa também ficar em paz, livre dentro de suas terras junto ao povo escocês. Quando viu-se cercado de nobres que mais queriam comprá-lo ou usar de seu prestígio com o povo para a ascensão de famílias ao poder sentiu nojo. As vitórias que havia conseguido com seu sangue e o sangue de camponeses e homens que queriam a liberdade estavam sendo usadas como moeda de troca e jogos de poder. Tentou em vão convencer as cobras esguias da nobreza de que a união era a única saída, e os nobres, mais preocupados em manterem sua posição e recursos materiais negaram-se e traíram não só Wallace mas a causa escocesa duas vezes. Mesmo após tantas traições e uma derrota horrenda em batalha, Wallace ergueu-se novamente graças a seu espírito e grandiosidade. Novamente enfrentando tais adversidades manteve-se fiel ao seu sonho de liberdade e a causa escocesa pois sabia que sem a mesma a vida não teria sentido e portanto, mais valeria morrer tentando aquilo do que manter-se submisso ao que mais odiava. Chegou a caçar dois dos nobres que haviam traído o povo escocês. Eventualmente sofreu a segunda traição aonde em suposto tratado de união entre os clãs da nobreza e o exército escocês foi capturado e entregue aos ingleses. Defendeu a causa até seu último momento aonde negou-se pedir misericórdia ou jurar lealdade a aqueles que sempre oprimiram seu povo. Ainda preso, Wallace sente-se com medo da morte e apela para que Murien lhe dê forças para passar por aquilo. Encarando a morte de frente, Wallace então morre torturado levando até seu último suspiro o grito de liberdade escocês e no seu pensamento carrega o amor que recebeu de sua mulher, eventualmente unindo-se a ela na morte e deixando seu legado nas mãos de Robert the Bruce, que daria continuidade a luta e eventualmente tornaria-se Rei da Escócia.
A capacidade essencial de um caráter verdadeiro é esta que Wallace encarna perfeitamente no filme: manter-se fiel a aquilo que acreditamos e vemos como certo. Mesmo diante de tentativas de compra, mesmo diante de adversidades e mesmo diante do medo ou até da morte seguir aquilo que o coração nos diz que é o certo. Eis aí a chave essencial. Não enxergo um homem como homem sem que o mesmo exerça seu caráter. A capacidade de reerguer-se e novamente voltar a batalha também é admirável no personagem e essencial na vida. Apesar das derrotas e das perdas irreparáveis ainda assim houve força para seguir com sua causa verdadeira até o fim. Que homem pode ser considerado homem se fraqueja diante das perdas ou lamenta-se eternamente diante da perda ou do fracasso? Não, olhar para frente e concretizar seu sonho, fazer suas metas acontecerem não importa o que. Não obstante, o personagem faz uso de sua força não para submeter aqueles na sua volta mas sim para emancipá-los e protegê-los. Não visa a submissão nem o poder: apenas o bem daqueles que compartilham de sua mesma utopia. Disposto a dar sua vida por aquilo que acreditava ser o certo e encarando as dificuldades de sua vida e na batalha com o peito aberto e com a cabeça erguida utilizou-se da força do amor e de seu coração para fazer de tudo para concretizar aquilo que era sua utopia máxima, e mesmo sem vê-la ocorreu posteriormente graças aos seus esforços. Foi fiel a sí mesmo e portanto morreu feliz mesmo em tortura.
Me surpreende que quando se fala coisas de confiança, caráter, honra ou fidelidade se enxerga tudo como “um ideal” ou “utópico”. Tamanha nossa organização hoje como sociedade supostamente moderníssima que adotar posturas reais de comprometimento com um bem maior, envolvendo sacrifício próprio ou pelo outro torna-se extremamente suspeito ou até alienígena! Realmente chegamos ao ponto de se perder isto? Outra coisa que eu consigo “linkar” do filme é como algumas coisas se repetem ainda hoje. Quando se tenta a revolução, quando se tenta a mudança e quando se tenta a verdadeira liberdade ocorrem coisas exatamente idênticas as do filme: pessoas (ou classes) com privilégios, com medo de perdê-los e chegar a igualdade passam a defender ideais muito além daqueles que a maioria deseja apenas para manter aquilo que têm. Pasmo ainda com tamanha convicção que adota-se determinadas posturas para se manter o tal do “status quo” funcionando, afinal, “está tudo bem para mim”. Traição, quebra de valores próprios, jogos e poder... tudo para manter seus privilégios e posição que normalmente, é sustentada por aqueles que tentam libertarem-se. Mas aqueles sem dignidade nenhuma como ser, mantém a mão fechada para manterem sua posição (isso se vê até mesmo em relacionamentos íntimos não? Um quer libertar-se e outro não deixa, só para manter a posição). É interessante que mesmo com toda a história ainda assim vivemos pela dominação daquele que supostamente é o mais forte. Hoje porém o controle torna-se muito mais sutil do que pela utilização da “Prima Nocte” por exemplo. A sutilidade encontra-se em nossas cabeças. Nossas ideias, aquilo que achamos que vêm do nosso mais íntimo acabam por serem acorrentadas por maneiras tendenciosas de se manter as coisas como estão, pois é interesse dos poucos mudá-las. A nobreza saiu, mas a repressão pelos outros se mantém.
Coração Valente ensinou-me muito sobre as maneiras que devemos conduzir nossas vidas e especialmente, como exercer de verdade um caráter bom e positivo, não para sí mas também como ferramente para mudar as coisas que estão em sua volta e tornar-me completo como ser.
William Wallace era filho de um camponês escocês. Ainda jovem viu a tentativa de seu pai de organizar alguns dos clãs para lutar contra a opressão inglesa na escócia do rei longshancks, dito como um dos mais cruéis reis que sentaram naquele trono. O jovem Wallace porém frustra-se ao receber tempo depois a notícia da morte de seu pai e de seu irmão mais velho que foram feridos em combate contra os ingleses. Encontra também em uma casa diversos dos nobres escoceses que foram traídos por Longshancks em um suposto tratado de paz, todos enforcados. Mulheres e crianças inclusos. Logo cedo em sua vida Wallace acaba tendo de lidar com a perda daqueles que mais amava. Durante o dia após ver o corpo de seu pai e irmão comparece ao enterro de ambos. Enquanto todos saíam após as preces o pequeno Wallace ficou só, chorando vendo o coveiro enterrar sua família. Uma jovem garota então, entrega a ele uma flor, um cardo (thistle) flor símbolo da Escócia. Wallace é então adotado por seu tio que aparece a noite para ver o verdadeiro enterro dos pais de Wallace: com corpos queimados e gaitas escocesas, proibidas pelo governo inglês e que quando eram feitas deveriam ser as escondidas. O tio de Wallace o leva consigo e o ensina diveras línguas e a arte do combate. Wallace retorna anos depois, adulto e tenta retomar sua vida como fazendeiro. Reencontra Murien, a garota que havia lhe dado a flor (a qual ele devolve a ela depois) e ambos vivem um romance cheio de amor e companheirismo. Casam-se as escondidas para evitar a Prima Nocte direito que os nobres ingleses detinham sobre os camponeses escoceses que se tratava de que quando houvesse um casamento a primeira noite da noiva deveria ser com o nobre. Após algum tempo ocorre uma tentativa de abuso de Murien por parte de soldados ingleses e devido ao atrito a mulher de Wallace é capturada. Como Wallace havia agredido soldados o nobre regente da terra opta por assassinar Murien em público cortando sua garganta visando atrair o fugitivo Wallace. Isto funciona, Wallace retorna então em fúria e com a ajuda de seus antigos amigos que apoiavam a causa de seu pai mata o nobre da mesma maneira que o mesmo havia matado sua mulher e toma as terras para seu povo. Guarda o lenço que sua amada havia feito para ele o qual o acompanharia até o fim de sua vida. Daí em diante Wallace passa a receber o apoio do povo escocês e corre atrás do sonho quase utópico na época: o da liberdade escocesa da repressão inglesa e a formação de um país independente. Ao longo de sua jornada Wallace acaba tendo que passar a negociar com os nobres escoceses que engalfinhados em jogos políticos e poder (e sem nenhum interesse pelo povo camponês... humm, isso não nos remete a alguma coisa atualmente? Parece que a história gosta de se repetir...) abandonam a causa revolucionária subornados pelo rei e traem Wallace no campo de batalha. Pasmo com a atitude de seus próprios compatriotas (se é que vermes como a nobreza colocada no filme pode ser dita “patriota”) Wallace mata dois dos nobres haviam traído a causa. Os exércitos de Wallace e escoceses tomam a cidade de York sozinhos. Assustado, o rei da inglaterra Longshancks pretende então matar Wallace e cessar as rebeliões escocesas e para isso utiliza-se de sua nora, a princesa da França. Porém, a princesa acaba por apaixonar-se pelo revolucionário escocês (hah) e passa a ajudá-lo. Finalmente o rei decide por comprar (novamente) os nobres escoceses os quais enganam novamente Wallace prometendo ajudar a causa escocesa deliberdade e capturam Wallace, entregando-o para a Inglaterra. William Wallace passa por um julgamento ao qual se nega a pedir perdão e jurar lealdade ao rei e então é levado para sua sentença: Wallace é então espancado, enforcado, esticado, têm suas tripas puxadas para fora e, finalmente, é decapitado. Ao negar-se a pedir misericórdia diante da população inglesa e de seus executores, decide por gritar “LIBERDADE” e então, após ter suas tripas expostas dá seu último suspiro de vida. Em sua mão, está o lenço de Murien manchado do sangue das batalhas que wallace havia realizado. Enquanto o machado estava a cair em seu pescoço, Wallace sofre seu último delírio e então enxerga Murien em meio a multidão, junto aos seus dois maiores companheiros que assistem sua execução pois nada poderiam fazer em Londres. Wallace então sorri para Murien, que sorri de volta, felizes, pois poderiam juntar-se finalmente.
O que me faz derramar lágrimas neste épico é a jornada de Wallace e como ele, ao adotar a posição real de HOMEM segue até o fim com seus ideais e mantém-se fiel até o fim naquilo que acreditava ser o certo. Mesmo que custasse sua vida. Inicialmente Wallace sofre duas perdas lastimáveis em sua vida, primeiro a de sua família e segundo de sua amada esposa todas pelas mãos da repressão inglesa. Mesmo diante de adversidades tão grandes em sua vida, sabendo que a mesma poderia simplesmente perder o sentido ele soube com seu espírito manter-se em pé e mais que isso, vislumbrar o horizonte, manter-se fiel ao seu sonho patriota de liberdade. Mesmo com estas perdas Wallace soube equilibrar-se e seguir em frente com sua vida e sua utopia e isso é característica essencial daqueles grandes na vida. Apesar das lágrimas e da tristeza, Wallace ergue a cabeça e mantém-se fiel a levar a justiça e a liberdade ao seu povo para que tais atos não mais se repitam e ela possa também ficar em paz, livre dentro de suas terras junto ao povo escocês. Quando viu-se cercado de nobres que mais queriam comprá-lo ou usar de seu prestígio com o povo para a ascensão de famílias ao poder sentiu nojo. As vitórias que havia conseguido com seu sangue e o sangue de camponeses e homens que queriam a liberdade estavam sendo usadas como moeda de troca e jogos de poder. Tentou em vão convencer as cobras esguias da nobreza de que a união era a única saída, e os nobres, mais preocupados em manterem sua posição e recursos materiais negaram-se e traíram não só Wallace mas a causa escocesa duas vezes. Mesmo após tantas traições e uma derrota horrenda em batalha, Wallace ergueu-se novamente graças a seu espírito e grandiosidade. Novamente enfrentando tais adversidades manteve-se fiel ao seu sonho de liberdade e a causa escocesa pois sabia que sem a mesma a vida não teria sentido e portanto, mais valeria morrer tentando aquilo do que manter-se submisso ao que mais odiava. Chegou a caçar dois dos nobres que haviam traído o povo escocês. Eventualmente sofreu a segunda traição aonde em suposto tratado de união entre os clãs da nobreza e o exército escocês foi capturado e entregue aos ingleses. Defendeu a causa até seu último momento aonde negou-se pedir misericórdia ou jurar lealdade a aqueles que sempre oprimiram seu povo. Ainda preso, Wallace sente-se com medo da morte e apela para que Murien lhe dê forças para passar por aquilo. Encarando a morte de frente, Wallace então morre torturado levando até seu último suspiro o grito de liberdade escocês e no seu pensamento carrega o amor que recebeu de sua mulher, eventualmente unindo-se a ela na morte e deixando seu legado nas mãos de Robert the Bruce, que daria continuidade a luta e eventualmente tornaria-se Rei da Escócia.
A capacidade essencial de um caráter verdadeiro é esta que Wallace encarna perfeitamente no filme: manter-se fiel a aquilo que acreditamos e vemos como certo. Mesmo diante de tentativas de compra, mesmo diante de adversidades e mesmo diante do medo ou até da morte seguir aquilo que o coração nos diz que é o certo. Eis aí a chave essencial. Não enxergo um homem como homem sem que o mesmo exerça seu caráter. A capacidade de reerguer-se e novamente voltar a batalha também é admirável no personagem e essencial na vida. Apesar das derrotas e das perdas irreparáveis ainda assim houve força para seguir com sua causa verdadeira até o fim. Que homem pode ser considerado homem se fraqueja diante das perdas ou lamenta-se eternamente diante da perda ou do fracasso? Não, olhar para frente e concretizar seu sonho, fazer suas metas acontecerem não importa o que. Não obstante, o personagem faz uso de sua força não para submeter aqueles na sua volta mas sim para emancipá-los e protegê-los. Não visa a submissão nem o poder: apenas o bem daqueles que compartilham de sua mesma utopia. Disposto a dar sua vida por aquilo que acreditava ser o certo e encarando as dificuldades de sua vida e na batalha com o peito aberto e com a cabeça erguida utilizou-se da força do amor e de seu coração para fazer de tudo para concretizar aquilo que era sua utopia máxima, e mesmo sem vê-la ocorreu posteriormente graças aos seus esforços. Foi fiel a sí mesmo e portanto morreu feliz mesmo em tortura.
Me surpreende que quando se fala coisas de confiança, caráter, honra ou fidelidade se enxerga tudo como “um ideal” ou “utópico”. Tamanha nossa organização hoje como sociedade supostamente moderníssima que adotar posturas reais de comprometimento com um bem maior, envolvendo sacrifício próprio ou pelo outro torna-se extremamente suspeito ou até alienígena! Realmente chegamos ao ponto de se perder isto? Outra coisa que eu consigo “linkar” do filme é como algumas coisas se repetem ainda hoje. Quando se tenta a revolução, quando se tenta a mudança e quando se tenta a verdadeira liberdade ocorrem coisas exatamente idênticas as do filme: pessoas (ou classes) com privilégios, com medo de perdê-los e chegar a igualdade passam a defender ideais muito além daqueles que a maioria deseja apenas para manter aquilo que têm. Pasmo ainda com tamanha convicção que adota-se determinadas posturas para se manter o tal do “status quo” funcionando, afinal, “está tudo bem para mim”. Traição, quebra de valores próprios, jogos e poder... tudo para manter seus privilégios e posição que normalmente, é sustentada por aqueles que tentam libertarem-se. Mas aqueles sem dignidade nenhuma como ser, mantém a mão fechada para manterem sua posição (isso se vê até mesmo em relacionamentos íntimos não? Um quer libertar-se e outro não deixa, só para manter a posição). É interessante que mesmo com toda a história ainda assim vivemos pela dominação daquele que supostamente é o mais forte. Hoje porém o controle torna-se muito mais sutil do que pela utilização da “Prima Nocte” por exemplo. A sutilidade encontra-se em nossas cabeças. Nossas ideias, aquilo que achamos que vêm do nosso mais íntimo acabam por serem acorrentadas por maneiras tendenciosas de se manter as coisas como estão, pois é interesse dos poucos mudá-las. A nobreza saiu, mas a repressão pelos outros se mantém.
Coração Valente ensinou-me muito sobre as maneiras que devemos conduzir nossas vidas e especialmente, como exercer de verdade um caráter bom e positivo, não para sí mas também como ferramente para mudar as coisas que estão em sua volta e tornar-me completo como ser.
Assinar:
Postagens (Atom)
-
O dia 27 de Agosto é tido como o "dia do psicólogo". A escolha deste dia se deu devido ao fato de que foi em 27 de Agosto de 19...
-
Assisti hoje ao filme “Gênio Indomável”. O filme trata da história do gênio Will Hunting, um rapaz pobre que possui uma inteligência acima d...
-
Recentemente engajei-me em uma campanha, “Bagé pela literatura”. A ideia, como o nome indica, é o auto-incentivo à leitura de mais livros r...
-
E lá se foi outra vida. Dessa vez a de um atleta. Ia ficar calado, mas é evidente que os ânimos fizeram as pessoas se manifestarem, dentre ...